Eficiência Hídrica em Edifícios e Espaços Públicos…

… O Caminho para a Gestão Sustentável da Água!!!

Archive for 26 de Setembro, 2011

Ovelha no Jardim

Posted by eficienciahidrica em 2011/09/26

No Bairro de Santa Cruz de Benfica, em Lisboa, está a ser criado o 1.º jardim em Portugal certificado pela medida de avaliação de sustentabilidade da World Sustainability Society (WSS).

Vai ter uma ovelha para aparar o prado, um lago para armazenamento de água com rãs e outros seres vivos em vias de extinção. Além desses, vai ter ainda espécies autóctones com funções estéticas e sentimentais e uma escultura que apela à sensibilização ambiental. O Jardim Jaime Filipe é um espaço verde com uma fisionomia completamente diferente do que é usual. Sem custos ambientais, neste novo espaço público localizado no Bairro de Santa Cruz de Benfica a natureza prevalece sobre as necessidades do Homem e tudo foi pensado para preservar a utilização de recursos.

Isso vai ser feito minimizando os consumos de água, matéria e energia, ao mesmo tempo que se maximiza a biodiversidade, assim como a fixação de CO2 e a regulação da temperatura ambiental. Para isso, foi necessário cumprir os apertados critérios da World Sustainability Society (WSS), uma organização sem fins lucrativos, cujo principal objetivo é criar uma medida universal de sustentabilidade, que permita quantificar os impactos das atividades humanas nos recursos naturais.

Para alcançar os objetivos exigidos pela WSS em termos de sustentabilidade, foram necessários alguns sacrifícios em termos estéticos, como prescindir de relvados e de espécies exóticas.

A mistura de prado escolhida (Lupinus luteus, Festuca ovina duriscula e Festuca rubra rubra), por exemplo, teve em conta os requisitos edafo-climáticos e hídricos, assim como servir de pasto à ovelha.

Esta é uma das grandes inovações deste projeto, que vai recorrer ao animal para substituir a máquina de cortar relva.

O mais curioso é que, mesmo antes de se encontrar no local, o animal já tem uma história associada, de resto como praticamente todos os elementos que fazem deste jardim um jardim diferente. A ovelha que vai residir no jardim será escolhida em função de se tratar de um animal condenado, ou seja, que por ter alguma deficiência associada não possa ser utilizada para consumo.

Será, assim, um animal salvo da morte porque, em Benfica, além de cumprir a importante função de cortar o prado, serve também para alertar para a tolerância com os animais e «fazer as pessoas lembrarem-se de que a exclusão é um fenómeno que existe. Aqui podem ter um animal amistoso que teria sido excluído e condenado à partida por ser um pouco diferente».

Água e caminhos resistentes

As espécies vegetais são rústicas e resistentes, toleram o stress hídrico e alguma escassez de água. Algumas,raras, foram cedidas pelo Departamento de Botânica do Instituto Superior de Agronomia e oferecidas pelos moradores locais e outras entidades que se associaram à iniciativa.

O projeto aproveita as nascentes de água que existem no jardim, armazenadas nas valas de infiltração e de drenagem. A água é conduzida por uma bacia de retenção, o lago enrocado que permitirá regar o jardim durante praticamente todo o ano. Foi instalado um sistema de rega de baixa pressão e densidade, fator essencial à redução do consumo de água.

No lago foram introduzidas algumas espécies que se encontram em extinção em Portugal, como é o caso das rãs, que promovem a biodiversidade ao atraírem diversas espécies de pássaros em busca de alimento. «O sistema de água tem uma série de nascentes que estavam canalizadas para esgoto e que foram interrompidas por forma a tentar conseguir meter a água no lago, que tem como única função servir de depósito de água para a rega. Não temos qualquer função estética com o lago.

A intenção deste lago não foi nunca ser um espelho de água», afirma Francisco Manso, sublinhando que não se trata de um lago «mas de um poço de infiltração, cuja função é aumentar os índices de infiltração que esta zona já teria», realça. De acordo com a arquiteta paisagista Gisela Mourão, as sementeiras foram efetuadas segundo as previsões meteorológicas para «não gastarmos água posteriormente».

Para mais informações sobre este projecto consulte a ligação em http://mulher.sapo.pt/casa-jardim/jardim/uma-ovelha-no-jardim-1164387-2.html

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Eficiência e Certificação Hídrica de Produtos e Equipamentos

Posted by eficienciahidrica em 2011/09/26

“(…) Portugal tem sido alertado, por várias instâncias internacionais, para um previsível problema de stress hídrico dentro de 15/20 anos (…)”.

O aviso parte do Prof. Doutor Armando Silva Afonso, Presidente da Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais (ANQIP), uma organização não governamental que tem contribuído, nos últimos três anos, para a garantia da eficiência e qualidade nas instalações prediais, com particular ênfase nas instalações de águas e esgotos.

Segundo o Presidente da ANQIP, “(…) mais de 80% dos problemas e incomodidades que temos nas nossas casas derivam de erros ou defeitos nestas instalações.”. Fique a par da actuação da ANQIP na resolução desses erros, bem como do sistema para a certificação e rotulagem da eficiência hídrica de produtos criado pela organização através de uma entrevista cedida pelo Prof. Doutor Armando Silva Afonso à Verlag Dashöfer.

Verlag Dashöfer: O que motivou a fundação da Associação Nacional para a Qualidade nas Instalações Prediais (ANQIP)?

Armando Silva Afonso: “Existem em Portugal problemas evidentes a nível das instalações prediais de águas e esgotos. Sabe-se que mais de 80% dos problemas e incomodidades que temos nas nossas casas derivam de erros ou defeitos nestas instalações. Contudo, observando o que se passa a nível do gás, das comunicações ou da energia, por exemplo, constatamos que é o sector menos regulado e menos controlado no âmbito das diversas especialidades da edificação. Existe, efectivamente, um problema de qualidade técnica que é urgente suprir.

“Por outro lado, Portugal tem sido alertado, por várias instâncias internacionais, para um previsível problema de stress hídrico dentro de 15/20 anos, que implicará problemas de falta de água em algumas regiões do país. Na verdade, a este nível pouco tem sido feito, com excepção da publicação do Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água, elaborado há mais de 10 anos mas, na prática, ainda não implementado. Pelo contrário, constatamos ineficiências enormes no uso da água em Portugal, estimadas em 240 x 106 m3/ano, desperdício este a que corresponderá um valor económico próximo de 400 milhões de euros por ano.

“Foram estes dois tipos de problemas, de eficiência e de qualidade, que motivaram a criação da ANQIP, há cerca de três anos. Foi uma iniciativa conjunta de universidades, empresas, entidades gestoras, técnicos individuais e outras pessoas e entidades preocupadas com estas questões, que procuraram criar uma associação sectorial, não governamental e sem fins lucrativos, capaz de contribuir de forma efectiva para a imprescindível melhoria do sector.”

Verlag Dashöfer: Que tipo de problemas é que se encontram geralmente associados às instalações de águas e esgotos?

Armando Silva Afonso: “Como referi anteriormente, existem problemas de qualidade e de eficiência.

“A nível da qualidade, os erros e defeitos nestas instalações traduzem-se, em regra, em significativos factores de desconforto (odores, ruídos, etc.), no mau funcionamento dos sistemas ou dos dispositivos (deficiências de escoamento, variações incómodas de temperatura e pressão, etc.), em durabilidades reduzidas e em problemas de humidades, obrigando a intervenções que são, em geral, de custo significativo e de elevada incomodidade.

“As causas serão, certamente, diversas. A legislação, por exemplo, tem permitido a demissão das Entidades Gestoras no âmbito da aprovação de projectos e da fiscalização das obras, a par da inexistência de uma cultura de qualidade no sector. A falta de exigências mínimas a nível da qualificação de projectistas e instaladores é também um factor de crucial importância, contrastando com o que é exigido em relação a outras instalações prediais (gás, energia, etc.). A regulamentação, demasiado estática, não fomenta o estudo e a implementação das novas soluções que, neste âmbito, têm sido desenvolvidas ao longo das últimas décadas, em especial no espaço europeu, revelando Portugal uma manifesta desactualização técnica a este nível.

“O Estado, infelizmente, também não tem contribuído para a resolução destes problemas. Um exemplo: a ANQIP preparou com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) um despacho da maior importância em relação a os materiais utilizáveis nas instalações, mas, decorrido um ano, esse despacho aguarda ainda assinatura do membro do Governo responsável.”

Verlag Dashöfer: Estes problemas manifestam-se sobretudo em edifícios já existentes ou ocorrem igualmente em edifícios novos?

Armando Silva Afonso: “Os problemas são comuns a edifícios novos e existentes, embora a abordagem para a sua resolução possa ser diferente. No caso da eficiência hídrica, por exemplo, em edifícios novos deve-se promover a utilização de produtos e soluções eficientes, ao passo que, em edifícios existentes, a prioridade deve estar na realização de auditorias de eficiência hídrica.”

Verlag Dashöfer: De que forma é que a ANQIP contribui para a resolução desses problemas?

Armando Silva Afonso: “A ANQIP tem desenvolvido um vastíssimo leque de soluções para a resolução destes problemas, passando pela formação profissional a todos os níveis, dos instaladores aos técnicos, pela certificação de projectos e instalações, pela edição de Especificações Técnicas, pela rotulagem de produtos, etc.

“Entre essas soluções destaca-se a realização de cursos de formação de instaladores, acções de informação e de divulgação de novos produtos e soluções técnicas, edição e distribuição de publicações e de Especificações Técnicas, certificação de Conformidade Técnica de Instalações, certificação da Eficiência Hídrica de Produtos, certificação de Sistemas de Aproveitamento de Águas Pluviais e de Águas Cinzentas e realização de auditorias de eficiência hídrica.”

Verlag Dashöfer: E como está a decorrer a actividade da Associação a nível da promoção da eficiência hídrica?

Armando Silva Afonso: “A iniciativa mais importante da ANQIP a este nível terá sido a criação de um sistema português para a certificação e rotulagem da eficiência hídrica de produtos. Este sistema, lançado pela ANQIP no início de 2009, tem estado a revelar uma grande adesão por parte das empresas fabricantes ou importadoras.

“A importância deste sistema está reconhecida não só a nível da eficiência hídrica que pode promover nas habitações (estimada pela ANQIP em cerca de 30% no caso de se usarem produtos da letra “A”), mas também a nível da eficiência energética que pode ser obtida por esta via, o que deve levar à inclusão deste sistema no âmbito do RCCTE, em próxima revisão deste Regulamento, em particular no que se refere aos chuveiros e sistemas de duche.

“Para além da rotulagem de produtos, a ANQIP desenvolveu também Especificações Técnicas para o aproveitamento de água da chuva e de águas cinzentas e sistemas de certificação para estes aproveitamentos.”

Verlag Dashöfer: Que produtos é que este sistema desenvolvido pela ANQIP contempla?

Armando Silva Afonso: “O sistema ANQIP de certificação e rotulagem da eficiência hídrica de produtos abrange todos os dispositivos usuais (torneiras, chuveiros, autoclismos, etc.) com uma referência por letras, de ‘A++’ a ‘E’.

“De referir que outros dispositivos, como economizadores, por exemplo, são também ensaiados e certificados pela ANQIP, a pedido do fabricante ou importador, em termos de comprovar a eficiência obtida.

“A lista completa dos produtos certificados está publicitada no nosso site http://www.anqip.pt.”

Verlag Dashöfer: Quais os requisitos que um produto deve ter para ser considerado eficiente do ponto de vista hídrico?

Armando Silva Afonso: “Para o desenvolvimento do seu sistema de certificação e rotulagem de eficiência hídrica, a ANQIP estudou e desenvolveu diversas Especificações Técnicas, estabelecendo os parâmetros para a classificação os produtos, que atendem não só à sua eficiência, mas também a aspectos como a saúde pública, o conforto na utilizações e o bom funcionamento dos aparelhos sanitários e das redes de drenagem.”

Verlag Dashöfer: As categorias de eficiência hídrica variam em função do produto avaliado ou são as mesmas para todos os produtos?

Armando Silva Afonso: “Os requisitos para a classificação nas diversas categorias variam efectivamente com o produto e as tabelas de referência constam de diversas Especificações Técnicas desenvolvidas por Comissões Técnicas da ANQIP e podem ser consultadas no nosso site. Estas Comissões envolvem elementos de entidades gestoras, universidades, empresas, etc.”

Verlag Dashöfer: Na sua perspectiva, a certificação hídrica, à semelhança da certificação energética, irá tender para a obrigatoriedade nos próximos anos?

Armando Silva Afonso: “Penso que mais importante que a obrigatoriedade é a consciencialização dos cidadãos para a importância destas medidas.

“Por isso, entendo que a obrigatoriedade é sempre a última medida a considerar, pois significa, na verdade, que os cidadãos não foram devidamente informados ou não interiorizaram a necessidade ou importância das políticas de eficiência que se pretendem implementar.

“Noto que podem ainda ser utilizados benefícios fiscais, ou outros, para incentivar a utilização de produtos eficientes.”

Verlag Dashöfer: Como é que se pode conhecer a eficiência hídrica de um produto e, posteriormente, obter a sua certificação?

Armando Silva Afonso: “As Especificações Técnicas elaboradas pela ANQIP esclarecem bem estes procedimentos. Mediante protocolo estabelecido com as empresas interessadas, os produtos são ensaiados pela ANQIP em Laboratórios Acreditados ou aprovados pela ANQIP e, em função dos resultados, são objecto de certificação e de atribuição e um rótulo, que traduz a sua eficiência hídrica de acordo com as tabelas de referência elaboradas pela ANQIP.

“Os rótulos, à semelhança da eficiência energética, baseiam-se num escalonamento por letras.”

Verlag Dashöfer: Que mais-valias oferece a ANQIP aos seus associados?

Armando Silva Afonso: “Posso dizer que a ANQIP é uma associação de missão, onde a adesão de associados traduz essencialmente a sua vontade de contribuir para melhorar a qualidade e a eficiência das instalações prediais em Portugal.

“Como é justo, há uma retribuição aos associados, através da concessão de diversas vantagens, tais como: participar nas diversas Comissões Técnicas – as quais são responsáveis pela elaboração das Especificações Técnicas ANQIP –, têm condições preferenciais para a frequência dos nossos cursos, podem requerer certificações de produtos ou instalações, pareceres, etc.”

Verlag Dashöfer: Como se traduz actualmente em números a eficiência e certificação hídrica de produtos/equipamentos em Portugal?

Armando Silva Afonso: “Como referi anteriormente, este sistema, lançado pela ANQIP há pouco mais de dois anos, tem estado a revelar uma grande adesão por parte das empresas fabricantes ou importadoras.

“De notar que a certificação de produtos foi iniciada com os autoclismos, por representarem perto de 35% dos consumos nas habitações em Portugal, ou seja, por serem o principal ‘consumidor’ dentro das nossas casas. Em relação a este produto, está já certificado cerca de 75% do mercado português, envolvendo mais de uma centena de referências comerciais.

“A certificação e a rotulagem de chuveiros e sistemas de duche, que representam o segundo maior ‘consumidor’ nas habitações em Portugal, foram iniciadas em 2010 e estão a decorrer de acordo com o previsto. Estamos também a fazer já a certificação de torneiras e fluxómetros. Na nossa página da internet está a lista completa dos produtos já certificados em todas as categorias.”

Entrevista: Carla Vinagre – Verlag Dashöfer

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